De todas as certezas do mundo, há algumas que preciso
contestar.
Como por
exemplo, o futuro. Aquele que pertence a Deus, aos deuses, ao santo anjo do
Senhor, meu zeloso guardador. O futuro é uma certeza contestável; sua imprevisibilidade
o faz assim. Pode ser bom, ruim... Mas isso também tem lá seu lado relativo e
bem reativo. Portanto, não se segure no que não conhece. O risco de se
estabacar no chão é grande.
Para
cada não, existe um sim. É simples. Basta andar com uma balança imaginária para
saber quem vale mais – o que não vai adiantar, pois os dois são igualmente importantes. E então, após um cálculo
minucioso, você pode dizer ao mundo o que quer e quem você é. Sempre com um pé
atrás, claro.
Os
troféus quebram, as flores murcham, as folhas secam, os rostos envelhecem, as
pérolas se espalham pelo chão, os tecidos rasgam, o dinheiro muda, os plurais
enrolam a língua. Essas são certezas legítimas, incontestáveis e assustadoras.
Assim como a imortalidade.
Aquela
que não vemos, mas que já cantaram uma vez e não ficou legal. Aquela que devia
ser estudada, aprimorada, patenteada, Deus, deviam fazer uma estátua em homenagem
a essa criatura. A imortalidade existe, e é nossa própria criação – já temos
motivos para sentirmos orgulho de nós mesmos. Somos imortais quando, mesmo após
a despedida, somos lembrados. Quando a distância de dimensões não impede que alguém
nessa Terra imperfeita sorria ou solte uma lágrima ao ser surpreendido com
nossa figura em sua mente. Mas nem todos são imortais. É preciso ser mais do
que especial para receber essa dádiva.
Você não
sabe? Ih, não gosto disso, dessa falta de informação. Mas vamos lá.
Seja
imortal ao fazer algo que nunca será esquecido. Ao amar e ser amado de forma
limpa, clara, natural. Seja imortal através de lembranças: fotografias,
palavras, missões cumpridas. Sabote o descanso de sua imagem ao fazer-se
importante por várias e várias gerações. Mas para tanto, dispense as fórmulas
mágicas; simplesmente faça. Siga. Viva. Conjugue os verbos que a língua da vida
te oferece. E vê se respeita os pronomes, por favor.
A imortalidade
dá-se na felicidade. Idolatrias boas serão construídas. Seu rosto será
eternizado em cabeças que compartilharão com outras cabeças a importância da
sua existência. E então, danem-se as cinzas ou o caixão; você fez, então você
sempre fará.
A morte
é outra certeza incontestável. Mas essa já perdeu a graça há tempos.
(Mary Poppins)

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