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sábado, 20 de dezembro de 2014

Decifrando-te



Se eu contasse nos dedos
teus sorrisos perfeitos
não haveria dedos
a serem contados

Pois teus sorrisos são tortos
desenhados, tremidos
mas tão reais e destemidos
que me fazem amar teus lábios

A teimosia dos nervos
A combinação dos dentes
Não sei se já lhe foi dito
mas ah! – Como teu sorriso é indecente!

Desconheço mundos diferentes
assim como regras, convenções, patentes
Desde que abristes a boca
ah, tu me hipnotizaste;
é como se tirasses a roupa!

Se puder, faça-me um favor:
assassine meus dilemas
Encerre este poema
colando teu sorriso no meu

Me ensina a sorrir também. 

*Este poema foi um dos finalistas do primeiro concurso de poesias da Casa de España, clube importante aqui no Rio de Janeiro. A maior vitória foi subir no palco e conseguir declamá-lo pra uma plateia maravilhosa. Compartilho meu "troféu" com vocês no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=lKSgnCKjY68



(Henri Matisse)

terça-feira, 10 de junho de 2014

Cacofonia I



Como se tivéssemos
Quebrado nossos elos
Como uma casa sem teto
Como um grito sem eco

Como se tivéssemos
Sufocado nossos egos
Numa chuva de egos
De ecos
De elos
Num jardim de cogumelos

Como se fizéssemos
Uma ciranda de marrecos
Um coral de lero-leros
Um conjunto de castelos
Um mar de marmelos

Em um dia belo
nos jogaremos
num porta-trecos.  

(Ouça Didjital vibrations, Jamiroquai)  

(Andy Gilmore)

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Num bar



Daqui a um mês
Ou quem sabe três
Estaremos
Numa mesa de bar
Conversando sobre o que fizemos
E o que deixamos de fazer
Enquanto perdíamos tempo
A conversar
Numa mesa de bar
Enquanto passa o mês
Enquanto vira o ano
Enquanto morre a vida
De alguém que acumula
Benfeitorias
Para se vangloriar
Numa mesa de bar
Desprezando o som do silêncio
Depredando a arte do bom senso
Ao querer conversar sobre si
Sobre mim
Sobre nós
Nós não existiremos
Daqui a um mês
Ou quem sabe três
Nessa mesa de bar
Onde o assunto é
E sempre será
Aquela velha história
Sobre onde estaremos
Quando isso tudo
Acabar.

Daqui a uma vida
Ou quem sabe duas
A gente se encontra
E desperdiça
O nosso resto de tempo
Fazendo valer a pena
O que não tem cabimento. 

(Ouça Drunk in love, Beyoncé - mas só porque eu viciei nessa p****). 

(Tumblr)