Essa
chuva que cai
me
encolhe os nervos
espalhando
meus anseios
numa
tempestade além-jarra
Essa chuva
que molha
meus
sentidos tão secos
abre as
portas do desespero
e me
furacaniza feito pólvora
Essa água
que bate
no calor
que invade
minha
tristeza sem hora
Ah,
senhora
eu sou um
pedaço do céu
que
derruba muros e muralhas
que
desaba sobre cabeças desorganizadas
que
destrói pontes abstratas
e
concretiza litros de lágrimas
Eu sou
água
Minha fonte
seca
Mas meu
espírito é líquido
sólido,
gasoso,
e no
inverno mais rigoroso
sou a
saudade do verão.
Sou teu
pranto de estimação.
(Ouça Falso brilhante, Elis Regina)
(Tumblr)

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