Autopromoção,
layout perfeito, publicidade e principalmente: muito, mas muito lixo virtual. A
conversa de hoje extrapola os limites da mesa de bar. Hoje eu quero uma
conversa franca, com olhos nos olhos - mesmo que seja virtual. Aliás, esse mundo por trás das telas
de led/lcd/lsd tem mais é que ser desconstruído mesmo – e caso você pense que
desconstruir é o mesmo que destruir, bom, volte cinco casas e só me procure
quando o dado girar a seu favor.
Eu
vejo muita gente ganhando a vida com a internet – ou melhor, com a blogosfera.
Eu sou do tempo em que blog era diário pessoal, aquele que tinha uns poucos
acessos, mas que a gente caprichava (com os poucos recursos que tinha) para
fazer um negócio bonito, como se esse fosse o nosso mais novo papel na
sociedade. Um tempinho passou... Não muito, mas o suficiente pras coisas
mudarem na velocidade da luz (ou quem sabe de um cometa, como diz o pagode
porque sim, eu sou multicultural, eu sou do povo, eu sou a Regina Casé). Admiro
quem conquistou seu espaço (e ainda conquista), mas não posso fechar os olhos
pro lixão a céu aberto que a gente encontra nas URLs da vida.
Sim,
meu blog não faz o menor sucesso. Nunca recebi propostas de parceria, nunca fui
parar em algum portal de notícias ou nem mesmo fui reconhecida por
desconhecidos. E não vou ser hipócrita de dizer que não admito a ideia de que
existe gente no mundo que ganha dinheiro com o que não me faz ganhar nada além
do prazer de divulgar o que eu penso. Mas me orgulho dele e nunca o largaria, nem mesmo o venderia. E se tem algo que muito me incomoda é essa gente
que se diz escritor, cronista, blogueiro de primeira classe. Blog de letras, de
moda, de dicas culturais... E quando você abre a embalagem, vê que o conteúdo não é nada do que imaginou. Como se a internet fosse terra de ninguém. E
infelizmente é.
Você
pode até dizer que existem problemas muito maiores para eu me preocupar – e devem
existir mesmo, não duvido nada. Mas o problema é que a internet deixou de ser
sinônimo de diversão e lazer há muito tempo. Existe um mundo por trás das
telas, eu já disse. Um mundo com coisas boas e ruins, uma espécie de extensão
do nosso mundo físico, concreto. A blogosfera é tão valorizada quanto o jornal
na época da ditadura – digo isso porque hoje em dia é mais fácil reconhecermos
o valor de um portal de notícias na internet do que de um jornal de papel. Desrespeitar
a língua portuguesa é o de menos. Eu vejo gente que propaga ignorância, que
promove mal entendidos, que confunde internautas. Gente que acumula adjetivos e
competências, mesmo sendo absurdamente incompetente. Preconceito, covardia,
censura, estupidez. Gente que não conhece o significado da palavra respeito, e
que desvaloriza completamente a sua liberdade de expressão.
Não
dá pra mudar o mundo – nem o físico e nem o virtual - assim, do nada. Mas dá pra mudar esse
quadro, e todos os outros que incomodam. Compartilhar pensamentos, opiniões e
informações não requer censura, mas sim sensibilidade e respeito ao próximo e a
si mesmo, além da confiabilidade. O ato de compartilhar é uma dádiva que não merece ser desperdiçada.
E
quanto aos escritores de meia tigela, por favor, desçam do salto. Aqui é a
blogosfera, onde a gente é de todo mundo e todo mundo é da gente – valeu,
Tribalistas. Mudar faz parte, ou será que vocês ainda não perceberam isso?
(Ouçam Sad, sad world, Jamie Cullum)
(Tumblr)

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