terça-feira, 15 de julho de 2014

Por trás das telas



               Autopromoção, layout perfeito, publicidade e principalmente: muito, mas muito lixo virtual. A conversa de hoje extrapola os limites da mesa de bar. Hoje eu quero uma conversa franca, com olhos nos olhos - mesmo que seja virtual. Aliás, esse mundo por trás das telas de led/lcd/lsd tem mais é que ser desconstruído mesmo – e caso você pense que desconstruir é o mesmo que destruir, bom, volte cinco casas e só me procure quando o dado girar a seu favor.
               Eu vejo muita gente ganhando a vida com a internet – ou melhor, com a blogosfera. Eu sou do tempo em que blog era diário pessoal, aquele que tinha uns poucos acessos, mas que a gente caprichava (com os poucos recursos que tinha) para fazer um negócio bonito, como se esse fosse o nosso mais novo papel na sociedade. Um tempinho passou... Não muito, mas o suficiente pras coisas mudarem na velocidade da luz (ou quem sabe de um cometa, como diz o pagode porque sim, eu sou multicultural, eu sou do povo, eu sou a Regina Casé). Admiro quem conquistou seu espaço (e ainda conquista), mas não posso fechar os olhos pro lixão a céu aberto que a gente encontra nas URLs da vida.
               Sim, meu blog não faz o menor sucesso. Nunca recebi propostas de parceria, nunca fui parar em algum portal de notícias ou nem mesmo fui reconhecida por desconhecidos. E não vou ser hipócrita de dizer que não admito a ideia de que existe gente no mundo que ganha dinheiro com o que não me faz ganhar nada além do prazer de divulgar o que eu penso. Mas me orgulho dele e nunca o largaria, nem mesmo o venderia. E se tem algo que muito me incomoda é essa gente que se diz escritor, cronista, blogueiro de primeira classe. Blog de letras, de moda, de dicas culturais... E quando você abre a embalagem, vê que o conteúdo não é nada do que imaginou. Como se a internet fosse terra de ninguém. E infelizmente é.
               Você pode até dizer que existem problemas muito maiores para eu me preocupar – e devem existir mesmo, não duvido nada. Mas o problema é que a internet deixou de ser sinônimo de diversão e lazer há muito tempo. Existe um mundo por trás das telas, eu já disse. Um mundo com coisas boas e ruins, uma espécie de extensão do nosso mundo físico, concreto. A blogosfera é tão valorizada quanto o jornal na época da ditadura – digo isso porque hoje em dia é mais fácil reconhecermos o valor de um portal de notícias na internet do que de um jornal de papel. Desrespeitar a língua portuguesa é o de menos. Eu vejo gente que propaga ignorância, que promove mal entendidos, que confunde internautas. Gente que acumula adjetivos e competências, mesmo sendo absurdamente incompetente. Preconceito, covardia, censura, estupidez. Gente que não conhece o significado da palavra respeito, e que desvaloriza completamente a sua liberdade de expressão.
              Não dá pra mudar o mundo – nem o físico e nem o virtual - assim, do nada. Mas dá pra mudar esse quadro, e todos os outros que incomodam. Compartilhar pensamentos, opiniões e informações não requer censura, mas sim sensibilidade e respeito ao próximo e a si mesmo, além da confiabilidade. O ato de compartilhar é uma dádiva que não merece ser desperdiçada.
               E quanto aos escritores de meia tigela, por favor, desçam do salto. Aqui é a blogosfera, onde a gente é de todo mundo e todo mundo é da gente – valeu, Tribalistas. Mudar faz parte, ou será que vocês ainda não perceberam isso?

(Ouçam Sad, sad world, Jamie Cullum)

(Tumblr)

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